Feliz 2012... Já, 2012...
Os anos que passam já não são tão bem aceitos pela pessoa aqui. A cada dia que passa mais estou perto dos ..enta.. Crise de meia-idade de mulher moderna - AFE...
Os tempos mudaram. Quando a minha mãe tinha a minha idade, ela saíra da terra natal dela e eu e o meu irmão já tinhamos 11 e 5 anos, respectivamente. Ela desbravava um país estranho e novo, no qual ninguém havia para ampará-la.
Uma língua desconhecida, pessoas estranhas, costumes diferentes... E naquele tempo, o mundo não era globalizado como agora. Não existia internet, email, tv a acabo... Lembro dos meus pais chorando no aeroporto de Seul ao se despedirem de seus familiares, como se nunca mais fosse ve-los.
Os tempos mudaram. O mundo mudou. As pessoas mudaram.
Agora a terra tropical, antes estranha, é o lar. A terra natal, apesar de despertar um eterno perfume patrício, é uma terra estranha onde moram parentes e amigos que já não tem mais tanto contato nem afinidades. Nós nos tornamos estranhos e estrengeiros em toda e qualquer terra. Não há um sentimento de pertencer a um lugar específico.
Embora os meus pais neguem esse sentimento e se apeguem a idéia da pátria sonhada, sei que há um estranhamento entre eles e a vida deixada lá.
O fruto desse estranhamento sou eu. Em palavras bonitas e rebuscadas, eu seria cidadã do mundo. Em motes menos amigáveis, seria órfã de país.
Mas são outros tempos, repito. São outros tempos e não há mais necessidade nem orgulho em pertencer unicamente a um lugar específico neste globo.
Dado este prolixo contexto de não-pertencimento, o que há de se apegar quando falamos de personalidade e seus marasmos? Aliás, reformulando, no que eu me apego tanto quando me refiro a mim mesma, aos meus trejeitos e pareceres?
Por que continuar me apegando aos vícios de raciocínio e aos medos gerados pelos anos, se há um constante reformular e estranhar em mim em relaão a este mundo...
Ufa, depois desse fosforilamento todo, a minha resolução do ano é ser uma pessoa mais aberta a tudo. Aberta a novas idéias e horizontes, trabalhos e amigos, ambientes e experiencias... Ser menos EU e mais EU, ao mesmo tempo, se é que me compreende...
Porque, ao alto da sabedoria adquirida aos 34 anos, de nada vale a vida assistida de camarote. Pois a vida é pra ser vivida, experimentada, lambuzada, degustada... As vezes, desgostosa sim, mas há de sempre chegar o dia no qual tudo parece ser lindo e digno.
Ser feliz, sem questionar.
Tatear com as mãos vazias no escuro e dançar ao vento.
Deixar o vento desarrumar os cabelos.
Brincar ao sol.
Feliz 2012 a todos
Au revoir
terça-feira, 3 de janeiro de 2012
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