Se a perfeição numa refeição existe, ela foi alcançada nesse dia. Segunda-feira, feriado de Páscoa, 8 pm. As pernas pedindo socorro depois de um dia de caminhada. Paro no Café Carette, de Place du Trocadero, sento-me numa mesa na calçada. Temperatura agradável, um tímido início do por de sol, chega-me a mesa um chopp karlsberg com uns petisquinhos. Amendoas, berrys salgados-doces e grãos. Perfeito. Um cenário perfeito.
Peço um entrecote e me chega um bife suculento, altinho (nham...nunca seria vegetariana), passado ao ponto, com batatinhas e salada. Peço um pouco de mostarda dijon e como TUDO, mergulhado naquele molho (que só franceses sabem fazer) e misturado no dijon. Tá, fico com peso na consciencia, deixo sobrar meia duzia de batatas para compartilharem a sua sobrevivencia de uma gula jamais vista.
O prato chega ao fim com honras. Penso: peço sobremesa ou nao... A razão diz: não cabe sobremesa nesse estomago dilatado. Capacidade já excedida. A emoção diz: po, abaixo o regime neste país, quando voltar, fica de jejum o ano inteiro.
Devido ao meu EQ alto, peço a sobremesa. Un coupe parisien: duas bolas de sorvete - pistache e vanilla- que me chegam acompanhados de um sable acanhado de adornar algo tão apetitoso.
Devoro tudo, sem culpa, feliz.
Quase passo uma indigestão, mas a endorfina deve ter alguma propriedade digestiva quando exalada no solo parisiense.
Volto ao hotel, feliz da vida.
Capoto e durmo. Quase apago.
Acordo inchadíssima, nível de carb, proteína, gordura... Tudo em estado alerta, mas me sinto a maior bon vivant.
E assim é a vida, não é mesmo...
Au revoir
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