sábado, 30 de janeiro de 2010

Meta de fevereiro - Paris

Ainda é 31 de janeiro. Mas eu me determinei já para uma meta.

Passar o mës de fevereiro sem fazer nenhuma compra para myself. Lógico que não conta supermercado, comida e etc. Compra de coisas de mulher - roupa, sapato, maquiagem... etc e talz.

Falei isso para duas amigas minhas e as duas não hesitaram nenhum milésimo de segundo para soltar o humpf, sabe aquele que sobe do fundo da alma, quase gerando um cuspe magnänimo. Pois é. Ninguém me respeita, nesse sentido.

Pelo menos, eu escolhi o mës mais curto do ano e o período é propício porque as liquidações já estão no final, e convenhamos, é fim de feira e não tem nada mais que me apeteça... bem que posso ter que engolir essas palavras...

Resolvi fazer isso, aliás, tentar fazer isso, porque tava gastando mta grana e tb porque quero juntar plata para poder viajat este ano para -guess- PARIS. Viajar a Paris é o que quero fazer sempre! Na verdade, quero morar lá... Um dia, quando Deus quiser...

Por que eu adoro Paris é um mistério meio óbvio.

A minha primeira vez foi em 2005, quando me casei. O meu sonho era conhecer a cidade luz e fomos nós, empilhados num pacote CVC (ergh... odeio viajar de pacote). Fizemos Roma, Pisa, Chamonix e Paris. Estendemos alguns dias nessa cidade maravilhosa e me encantei.

Não falava um piu em français, but who cares... Com um sorrisinho no rosto e français de manual de viagem dá pra se virar mto bem lá. Tá, não dá pra discutir Sartre nem Zola, mas dá pra sobreviver.

Não sei explicar o que sinto por Paris. É algo maior do que eu mesma, a cidade me atrai como o mel a abelha ou algo mais fatal. Mas quando pisei os pés na cidade, eu soube que o meu coração iria morar lá pra sempre.

Primeiro porque os meus museus favoritos estão lá - Rodin e Orsay. Não há nada que me agrade mais do que as cores dos impressionistas e o jardim de Rodin. O Louvre é muito bom e enorme, mas acaba sendo mais impessoal pra mim. No Orsay me sinto meio que em casa. Vejo os quadros que admiro desde criança e posso sentar sem me preocupar com tempo, indo sem rumo de uma sala para outra. As cores, os traços, um jeito talvez fantasioso e alegre de retratar a vida está sempre presente. Quem não adora os impressionistas...

O meu quadro favorito é La Moulin de la Galette de Renoir. Quando tinha uns 7-8 anos, a minha tia tinha uma réplica dele e eu gostei dele. Ficava olhando pra ele, vendo o jogo das cores e admirando uma alegria quase pueril que Renoir retratou. Sabia que esse quadro fica muito diferente de dia e a noite? O jogo das luzes e os detalhes são incríveis. É um quadro que se renova, pois a gente sempre consegue achar um personagem diferente. Um vulto no fundo se transforma numa feição preciosa e no mais simples pousar de mão lë-se uma emoção diferente a cada vez que se depara com o quadro. Tenho uma réplica em casa e não me canso de olhá-lo.

Eu sabia que esse quadro ficava no museu de Orsay e na primeira viagem, fui procurá-lo. A minha expectativa era grande e o meu coração palpitava só de pensar que eu estaria cara a cara com O QUADRO. Cheguei no Orsay, procurei que nem uma doida e não o achei. Com meu perfeito français perguntei a funcionária e ela me disse que o quadro estava numa exposição de Renoir num museu (de Bercy) no outro lado da cidade..

Putz grila. A gente não tinha muitos dias em Paris. Mas eu não podia deixar de ve-lo. Então, pegamos metro, fizemos umas 3 baldeações, cruzamos a cidade e andamos pra caramba (já pensando que tinha q valer mto a pena). Chegamos ao tal do Museu, procuramos e tcha nan...

Tinha umas crianças causando devido uma excursão escolar. A professora tagarelando, explicando blá blá blá... Vi o quadro de longe, tive que esperar a molecada sair, e quando me deparei com ele, comecei a chorar. Não sei por que chorei. Mas era uma emoção mto grande ver o quadro de verdade. desde 7 anos eu sonhara por aquele momento, ver de perto cada pincelada, cada sopro que o Renoir dedicou, cada toque... Era algo surreal. Nunca chorei assim com arte e nem acho que isso vá a se repetir. O meu marido ficou meio assustado (o que deu nessa mulher?) e foi sentar num banquinho pra me deixar a vontade. Fiquei umas meia hora admirando, tirando foto (desnecessário, pois não capta a alma da coisa), chorando um pouco mais, suspirando... E me senti tentada a ficar plantada pelo resto da minha vida.

Nunca desejei possuir algo tão caro... Mas imaginei te-lo na minha casa... Comprei uma réplica gigante... Já que não sou zilionária...

Nas outras vezes que fui ve-lo, ele estava no Orsay mesmo. Toda vez que o vejo, o meu coração acelera e me sinto como uma adolescente indo encontrar o amado de sua vida. Fico impaciente, a minha mão sua, o meu coração pulsa irregularmente, não sinto fome, frio, sede... Fico meio doida.

Por que isso tudo? Não sei explicar mesmo. Gostaria de saber...


Bom, depois de todo esse papo sobre Renoir... Ah! sem querer ser mística, acho que eu e Renoir nascemos com uma conexão sobrenatural porque ele nasceu em 1877 e eu, em 1977. Cem anos nos separam. Cem! Não é um número perfeito? Um século... E esse fenomeno se repete entre eu e Hermann Hesse... Devo ser mesmo uma pessoa com ligações surreais... hahaha... Que delírio, mas eu acho isso desde que sou criança... loucura...


Segunda razão pela qual venero Paris é apenas ela ser o que é.

A cidade deixa de ser inanimado, pois ela te convida a flanar, a pensar, a refletir, a se jogar na nostalgia e angústia de existir... Acho que habita lá um espírito que te faz ser uma pessoa diferente. A cidade respira reflexão e boemia. Voce pode flanar durante o dia todo, sentar num cafe e se sentir realizada sem ter feito NADA. Vc se sente único e especial, e ao mesmo tempo, ínfimo e insignificante diante toda história e humanidade que existiu então.

Vc sobe as escadas (arfando e maldizendo todos os anos de sedentarismo desgraçado, ao mesmo tempo que foge dos vendedores de bugigangas), chega aos pés da Sacre Coeur e se sente no topo do mundo. Tudo fica pequeno e bonito. Até a minha vidinha parece um belo sonho (e sempre tem o Hugo tocando harpa... Canon, ok. Titanic, noooo, pelo amor de Deus... Quem merece ouvir My heart will go on com harpa?)
Vc entra na igreja e Jesus está lá, de braços abertos, com Seu sagrado coração. Seus bra~ços são tão abertos que, de fato, nós sentimos o seu abraçar. Me sinto mais santa e amada só de entrar na igreja.

Vc dá a volta ao redor da igreja, enfrenta os caricaturistas, passa pelas lojas de souvenir (que vendem a mesmíssima coisa desde 1900, mas que nunca deixam de captar seus olhares e sempre seduzir a abertura da carteira... sempre precisamos de mais um le chat noir) e chega a Place du Theatre.. Com seus restaurantes coloridos e cheios sempre. A comida não é lá aquela coisa, mas o ambiente delicioso ganha qualquer gourmand... Mesmo McDö (que nem franceses falam) teria gosto melhor naquela praça...

Passar pelo museuzinho de Dali, descer as escadas, perambular pelas ruelas deliciosas... É um dos meus lugares favoritos.


Mais razões? São tantas que não dá´pra enumerar. Torre, Trocadero, Place des Vosges, Palais Royal...

Fora as COMPRAS. Pq, mulher que é mulher, fica louca em Paris. Particularmente, adoro a Saint Honoré. Se terminar com um chocolat chaud e Mill feuilles no Fauchon, ainda mais perfeito.

Tem um hotel que me faz sentir em casa... É um 2 estrelas pequenino, mas confortável...

Não há melhor lugar pra mim... Acho que nasci com alma parisiense...

E este ano de 2010, eu pretendo voltar. Pretendo, quero e preciso.

Então, conter os gastos aqui e esperar pela oportunidade... Afinal, a quem tem um vestido de festa, oportunidade surge...

Todo este post GIGANTE de 5 GIGA BYTES (quase Tera) pra dizer que PRECISO PARAR DE GASTAR no mes de fevereiro... A começar pelo mes de fevereiro... Será que consigo? Contra todas as previsões amigas, familiares e maritais?

Não que a economia de um mes mude muito as minhas finanças, mas a gente tem de começar em algum lugar, ne?

Hoje é o último dia de janeiro! Se tiver que comprar algo, que seja tudo hoje...

Humpf...

Bonjour tristesse (Je suis desolee, François Sagan, pelo emprego indevido) de não comprar... Mas tristezas menores trarão algo maior...

Au revoir (tchau, compritchas... até março)

snif snif T.T

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