sexta-feira, 29 de janeiro de 2010

This is it

Acabei de assistir o DVD This is it, do Michael Jackson e estou impressionada com a dimensão que o show ia tomar. Sempre fui meio fã do MJ, quem não é? Lembro que o meu pai tirava o LP (que época boa, com todos aqueles barulhinhos... um charme), cuidadosamente, e colocava Billie Jean. Essa foi a primeira vez que eu lembro de ouvir MJ. Tinha uns 5 anos? Eu era bem criancinha e não podia mexer nos LPs do papai, extremamente preciosos, então, quando o meu pai (que ainda era cantor naquela época) me fazia ouvir música junto com ele, era um evento, uma delícia! Eu ouvi aquela voz aguda, dizendo coisas que mais parecia marciano ao meu ouvido, mas o ritmo era legal.

Assim conheci não só MJ, mas Anne Murray, Laura Branigan, Olivia Newton John... e todos...

Lembro que, quando tinha uns 5-6 anos, o meu pai colocava Gloria da Laura Branigan e nós ficávamos fazendo aeróbica na sala. Era bem época de aeróbica, comecinho dos 80s, eu era a professora e o meu pai ficava me imitando. E a gente voltava na música várias vezes... o que causava o ritual delicioso de abrir a tampa, levantar a agulha e reposicioná-la no LP. Que delícia, hoje em dia, as coisas não tem o mesmo charme...

Fiquei vendo o DVD durante quase duas horas. O MJ treinando, super franzino e abatido, mas ainda com muita paixão pela música e dança - perfeccionista até não poder mais, coordenando tudo. Era para ser o último show, This is it. Acho que ele queria lavar-se de toda a desonra com a história de pedofilia e talz, e talvez fechar a sua carreira com chave de ouro, mostrar a que veio ao mundo. Relembrar o mundo do rei do pop que ele era...

Vë-lo extasiado no palco, diante de uma pequena platéia (seus staffs, dançarinos..), fez-me pensar no quanto esse homem estava sedento por palco e luzes. Dizem que o palco dá uma adrenalina e prazer, tanto que os artistas vivem disso e sentem (sem querer ser mística) a energia do seu público e talz... Dizem que vicia...

Então, imaginei esse homem que estava privado desse palco durante tanto tempo e o quanto ele deve ter ansiado para voltar.

Seja por propofol ou sei-lá o que, a morte do MJ foi uma pena. Não houve, não há e não haverá nenhum genio que nem ele. Compositor, músico, dançarino, produtor... Creio não haver tanta versatilidade num ser humano só... (momento culto ao MJ...)

Mas por outro lado, é dolorido ver os gestos do homem que busca um pouco da glória que lhe pertencera outra hora... Afinal, o conceito de ser último nunca é um momento muito alegre...

Assistir a esse dvd me fez pensar sobre a efemeridade da vida. Muitos lutam para viver mais, Hebe, Jose de Alencar... e inúmeros. Outros se matam por algum motivo. O que para alguns é tão precioso que para outros é tão... ínfimo?

O que é a vida afinal? Correr atrás de vento, ir atrás de seus objetivos, caminhar conforme a maré.. O que é a minha vida e como eu a vivo? Qual o meu objetivo e por onde tenho andado?

Crise existencial? Não. Muito velha para isso. Apenas indaguemos o valor da vida.

Há algum sentido maior nesta vida?

Sem respostas niilistas ou existencialistas, svp.

No meu dia a dia, persigo, corro atrás de tantas coisas e afinal, para que?

Acho que não saberei as respostas em breve. Mas pelo menos, espero sempre indagar e lembrar das minhas perguntas. Afinal, um ser humano que não pensa nem merece viver.

Talvez o show do MJ não ter se concretizado atribua um sentido mais literal a sua vida. This is it. A paixão, a luta de um ser humano, a corrida, a tentativa, o sonho... Afinal, This is it.

This is it.

Au revoir

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