Acabei o meu livro de janeiro - A mulher desiludida da Mme Beauvoir. Eu tenho esse livro da coleção de Folha SP faz mto tempo, mas ainda não tinha lido.. Preciso ler mais... Mas com a correria do dia a dia, a minha resolção foi ler um livro (ao menos) por mës. E o meu marido, que curte me presentear sempre, compra um livro mensalmente, as vezes, peço algo especifico e outras, ele descobre umas joias e me traz. Foi assim que conheci Muriel Barbery.
Bom, voltando ao assunto do mes, acho que é um livro que retrata o perfil da mulher francesa do então, da época da Simone. As mulheres são totalmente dependentes do cotidiano (homem e filhos) e meio que não sabem viver sozinhas ou tocar uma vida própria. Como a Simone era pra frentex (acho que ainda para os dias de hoje ela o seria), descreve essa realidade com precisão e um tanto de ironia e desprezo.. Eu, leitora, me envolvi completamente com a história (qq mulher casada ficaria com mta raiva) e fiquei com vontade de esganar o personagem masculino, o Maurice.
O enredo é... Um casal intelectual e tranquilo com duas filhas grandes já e 22 anos de casamento vive a sua vida até que... o marido (Maurice) revela ter uma amante que vai contra todos os princípios que o casal cultivou durante a sua vida (aquela coisa de frances de ser chique, anti-moda, anti-futil, anti-consumista, anti-material... etc etc... Toda aquela pretensão francesa). A esposa, por achar que é apenas um caso, vai tolerando até que ele a deixa definitivamente.
As últimas páginas são as mais marcantes, pelo menos para mim. A Monique (esposa traída) volta de uma viagem de EUA (onde mora uma das suas filhas), e o Maurice já tirou todos os seus pertences do ape onde moravam juntos. Ela volta, senta no living room, olha para as portas fechadas do quarto e do escritório. Ela pensa que ao abrir essas portas, se dará de cara com o futuro e pensa TENHO MEDO. E assim termina o livro com a frase TENHO MEDO.
Acompanhar a Monique no seu processo multifacetado de dor é um tanto penoso, pois sou daquelas que se envolve ao ler algo. O objeto em questão não é (ao meu ver) só o casamento, marido ou filhas. Ela questiona toda a sua vida e existencia. A sua própria PESSOA, ser, que foi se aniquilando com o passar do tempo.
Quando ela pára de se definir circunstancialmente, a verdade ameaça surgir. E aí, ela termina o livro dizendo TENHO MEDO.
TENHO MEDO.
Tenho medo de sentir o que a Monique sentiu, aliás, o que a Simone sentiu (eu acho que ela sentiu, porque não seria possível descrever algo tão íntimo sem ter passado por isso) um dia na minha vida. Por mais que eu tente, não é possível me auto definir sem base nas circunstancia nenhuma.
Sou filha de alguém, irmã de alguém, esposa de alguém, amiga de alguém... por aí vai.
Se eu me despir de toda circustancia, o que serei eu... quem serei eu...
Como uma boa cristã, entra agora a definição de dignidade e preciosidade. Mas, se eu me despir disso também, onde chego...
Poxa, fosforilação total... Viajei até a quintá dimensão...
Mas, para mim esta é a pergunta que a Simone de Beauvoir deixa para toda leitora. E o mais engraçado é que ela já deixa a resposta dela (e talvez a nossa também) - TENHO MEDO.
Medo do desconhecido, medo do não-revelado, medo de não ser revelado...
Assim foi o meu livro de janeiro...
Au revoir
terça-feira, 26 de janeiro de 2010
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